A pré-estreia do filme “Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, na abertura do mais importante festival de cinema brasileiro, na noite de terça-feira, teve lances de emoção e baixaria. O constrangimento ficou por conta da desorganização do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que não previu a lotação e deixou atores, equipe técnica do filme e autoridades convidadas sem lugar para sentar. Diante do protesto da produção do filme, houve vaias da plateia.
Depois que a fita foi exibida, porém, predominaram os aplausos. Baseada num livro sobre a história do presidente Lula, a cinebiografia emociona ao acompanhar a trajetória de dificuldades que o futuro presidente do Brasil enfrentaria. É um melodrama sobre uma família pobre, de migrantes nordestinos que vão para São Paulo. Uma mulher forte, Dona Lindu, mãe de Lula, centraliza o drama, com sua família numerosa, o abandono do marido, a luta pela sobrevivência, a sabedoria, a relação com o filho.
O filme mostra o crescimento do homem Lula como pessoa, o trabalho de torneiro mecânico, o engajamento no movimento sindical, a morte da primeira mulher, a perda do dedo, as primeiras greves ainda durante a ditadura militar, a prisão no Dops. Com fortes doses de emoção e interpretações de alto nível, em especial a de Glória Pires como Dona Lindu e a do estreante Rui Ricardo Diaz no papel principal, “Lula, o Filho do Brasil” descartou qualquer tom político ou eleitoral em nome de contar a história de um brasileiro como tantos, que conheceu de dentro a pobreza e se tornou a liderança popular capaz de conduzir o combate a esse e outros problemas do nosso povo.
Foto: Brasília – Elenco do filme Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, durante abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr