Em outra viagem que muito me tocou, estive hoje em Montes Claros, para participar do II Seminário Integrado de Políticas para Comunidades Quilombolas. Ali ouvi depoimentos importantes, como o do companheiro Édson Santos, ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Ele contou que, nos anos 70, ainda existiam populações quilombolas em Goiás que não sabiam que a escravidão havia acabado.
Quando abolimos tardiamente a escravidão no Brasil, o que se discutia era se os donos de propriedades seriam indenizados. Não houve medida para incluir nossos antepassados escravos, o que faz ainda mais necessário resgate dessa dívida histórica, por meio de políticas que incluam essas populações.
Durante o evento, pedi aos prefeitos das cidades onde se localizam quilombos e Territórios da Cidadania que nos ajudem a cadastrar famílias que possam se beneficiar das políticas sociais do Governo Federal, como o Bolsa Família e outras iniciativas de assistência social, segurança alimentar e nutricional e inclusão produtiva.
Prezado Patrus, a questão quilombola toma hoje cada vez mais vizibilidade. Infelizmente, como há muitos anos ocorre, não é pela necessária reparação ao povo negro afro-brasileiro e sim pelo ‘medo’ de estas populações consigam a justa posse sob o território que vêm históricamente ocupando.
A grande imprensa destaca que estas populações disputam, ou melhor, reivindicam a tutaliradade de territórios que secularmente têm ocupado e que até pouco tempo eram desinteressante para a exploração do capital.
Neste sentido a mídia procura, assim como faz com a questão indígena, colocar a população contra os legítimos processos de reconhecimento destas comunidades quilombolas. Alega, a imprensa conservadora, que estas populações apropriam-se de vestas e estratégicas extensões de terra. Porém, não reconhecem que estes territórios são por elas ocupados e eté aqui desinterassados à exploração por siderúrgicas, mineradoras, agro-indústrias, entre outros.
Promever a defender a acausa quilombola é lutar pela inclusão social neste Brasil que ainda tem muito a reparar à população negra.
Saudações.
Pedro Gabriel Pereira
Juiz de Fora – MG