Espaço virtual, prosa real

Espaço virtual, prosa real

Sou de Bocaiúva, Norte de Minas, onde passei minha infância, adolescência e parte da juventude. Mas rumei para Belo Horizonte para estudar Direito na UFMG.

Formei-me advogado, formei família, fiz amigos e desenhei minha formação política. Fui vereador, prefeito e deputado federal.

Se hoje estou à frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, é muito por conta da minha história junto aos movimentos sociais, da minha militância na defesa dos mais pobres, contra a pobreza, a fome, a desigualdade, a desnutrição.

Ao longo dessa trajetória, encontrei e continuo encontrando vários espaços de interlocução. Pessoas interessantes, conhecidos. Muitos se tornaram fraternos amigos, companheiros constantes na busca da grande prosa do mundo.

Mas o tempo anda cada vez mais corrido. Às vezes me sinto a dever nesses espaços abertos. Por isso decidi fazer este Blog. Eu, que por muito tempo deixei de lado as novas tecnologias, achei por bem reconhecer e aproveitar o que tem de bom, suas possibilidades de ampliar nossas vozes, de aumentar nossa possibilidade de falar, mas também de ouvir.

“Sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a canseira da existência humana”, disse Galileu na peça de Bertolt Brecht.

Acredito na espécie humana e acho que temos muito a contribuir para nossa existência ser melhor para o mundo. Na linha de Brecht, penso que, sempre que possível, devemos usar a tecnologia a nosso favor.

Quero que este Blog potencialize ainda mais as interlocuções. Por meio dele, quero compartilhar histórias, casos, contar o que vivo no ministério, mas também falar da vida, da política, do partido. Compartilhar ideias.

Vou postar textos meus e de interlocutores. Vozes dos que estão conosco e dos que já se foram. Lembranças. Muita coisa que usamos na vida hoje são aprendizados colhidos de muitas fontes de sabedoria ao longo da vida.

Relembrar é uma forma de revigorar nosso olhar para ver mais longe. E se o espaço virtual pode ampliar ainda mais nossa prosa, que ela seja rica e plural. E possa refletir nosso desejo de construir, no espaço real, uma realidade mais justa, mais viva, mais igual e com mais afeto.

E, como “toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada”, como já dizia Guimarães Rosa, que possamos plantar bons começos.

08 de setembro de 2009